O nosso amor pelas crianças abandonadas dormindo nas ruas do Brasil se limita a não atropelá-las?
Aceitando o meme do post “Filha da Sé, a Pobreza no Brasil”, deJoãoMagalhães, desabafo a minha visão sobre o câncer social brasileiro, que ao promulgar a Constituição “Cidadã” de 1988, exterminou o futuro da nossa infância.
Foto: Medida para tirar crianças da ruas gera polêmica em Brasília.(De 2007 para cá, esta criança continua dormindo na rua enquanto os políticos polemizam.)
Ao abolir os Juizados de Menores, o Estado brasileiro escolheu deixar as crianças na rua, quando colocou nas suas mãos o livre arbítrio duvidoso da opção ou não de se colocarem sob a tutela estatal.
O ato imperioso de recolher as crianças das ruas foi substituído pelo eufemismo das “abordagens” dos Conselhos Tutelares, que quase nunca obtém sucesso em levar para os abrigos menores completamente dominados pela droadição e pertencentes a adultos que os utilizam como escravos de mendicância, servidores sexuais e aviões do tráfico de drogas.
Quando o nosso herói quixotesco Ulysses Guimarães, do alto do seu sonho de país escandinavo, ergueu a mão para os céus brandindo a promulgação da nova constituição, estava selado o destino de milhões de crianças que se marginalizaram nas décadas posteriores sob a frouxidão do Estatuto do Menor.
Foto: Existe solução para as crianças de rua? (Não, enquanto a maior parte da riqueza nacional for drenada pela corrupção.)
Quando visito Porto Alegre, me deparo com crianças dormindo no meio das calçadas, crianças vendendo ou mendigando em semáforos, crianças cheirando crack sob as marquises, crianças sendo usadas das maneiras mais sórdidas e vis, diante da leniência do Estado e dos políticos ladrões de Brasília, que preferem voltar as costas ao Brasil Real.
O Brasil que resolveu o problema das doenças mentais e da drogadição, simplesmente implodindo o sistema psiquiátrico ao longo do governo FHC, sob o lema “humanitário” de “Manicômios Nunca Mais”, resolveu o câncer das crianças abandonadas nas ruas, simplesmente deixando-as exatamente onde sempre estiveram, sujas e maltrapilhas, como resultados abjetos da corrupção política.
Foto: Fotogarrafa. (É importante o ato caridoso de não esmagar descuidadamente o crânio das nossas crianças.)
Eu sou omisso, pois a cada vez que vou a Porto Alegre, a minha compaixão vai ao limite máximo de desviar os pés para não pisar nas crianças que dormem a sono solto nas ruas.
Fotografia: Blog do Alberto Marques. (Enquanto o estado passeia perfeitamente alheio a tudo ao seu redor, a infância mirra ao lado do bueiro.)
Assim como eu, os outros pedestres compartilham da mesma indiferença. Nós, os cidadãos amparados pela Constituição Cidadã de 1988, nunca chegaremos a notar se um dos pequenos párias que se atravessa no nosso caminho está morto ou vivo, pois para nós, basta não esbarrar neles e seguir o nosso destino.
Ao abolir os Juizados de Menores, o Estado brasileiro escolheu deixar as crianças na rua, quando colocou nas suas mãos o livre arbítrio duvidoso da opção ou não de se colocarem sob a tutela estatal.
O ato imperioso de recolher as crianças das ruas foi substituído pelo eufemismo das “abordagens” dos Conselhos Tutelares, que quase nunca obtém sucesso em levar para os abrigos menores completamente dominados pela droadição e pertencentes a adultos que os utilizam como escravos de mendicância, servidores sexuais e aviões do tráfico de drogas.
Quando o nosso herói quixotesco Ulysses Guimarães, do alto do seu sonho de país escandinavo, ergueu a mão para os céus brandindo a promulgação da nova constituição, estava selado o destino de milhões de crianças que se marginalizaram nas décadas posteriores sob a frouxidão do Estatuto do Menor.
Quando visito Porto Alegre, me deparo com crianças dormindo no meio das calçadas, crianças vendendo ou mendigando em semáforos, crianças cheirando crack sob as marquises, crianças sendo usadas das maneiras mais sórdidas e vis, diante da leniência do Estado e dos políticos ladrões de Brasília, que preferem voltar as costas ao Brasil Real.
O Brasil que resolveu o problema das doenças mentais e da drogadição, simplesmente implodindo o sistema psiquiátrico ao longo do governo FHC, sob o lema “humanitário” de “Manicômios Nunca Mais”, resolveu o câncer das crianças abandonadas nas ruas, simplesmente deixando-as exatamente onde sempre estiveram, sujas e maltrapilhas, como resultados abjetos da corrupção política.
Eu sou omisso, pois a cada vez que vou a Porto Alegre, a minha compaixão vai ao limite máximo de desviar os pés para não pisar nas crianças que dormem a sono solto nas ruas.
Fotografia: Blog do Alberto Marques. (Enquanto o estado passeia perfeitamente alheio a tudo ao seu redor, a infância mirra ao lado do bueiro.)Assim como eu, os outros pedestres compartilham da mesma indiferença. Nós, os cidadãos amparados pela Constituição Cidadã de 1988, nunca chegaremos a notar se um dos pequenos párias que se atravessa no nosso caminho está morto ou vivo, pois para nós, basta não esbarrar neles e seguir o nosso destino.
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