quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O nosso amor pelas crianças abandonadas dormindo nas ruas do Brasil se limita a não atropelá-las?

 
Aceitando o meme do post “Filha da Sé, a Pobreza no Brasil”, deJoãoMagalhães, desabafo a minha visão sobre o câncer social brasileiro, que ao promulgar a Constituição “Cidadã” de 1988, exterminou o futuro da nossa infância.
Foto: Medida para tirar crianças da ruas gera polêmica em Brasília.(De 2007 para cá, esta criança continua dormindo na rua enquanto os políticos polemizam.)

Ao abolir os Juizados de Menores, o Estado brasileiro escolheu deixar as crianças na rua, quando colocou nas suas mãos o livre arbítrio duvidoso da opção ou não de se colocarem sob a tutela estatal.

O ato imperioso de recolher as crianças das ruas foi substituído pelo eufemismo das “abordagens” dos Conselhos Tutelares, que quase nunca obtém sucesso em levar para os abrigos menores completamente dominados pela droadição e pertencentes a adultos que os utilizam como escravos de mendicância, servidores sexuais e aviões do tráfico de drogas.
Foto: Fotogarrafa. (Um dia Brasília deveria se acordar do seu perpétuo sono.)

Quando o nosso herói quixotesco Ulysses Guimarães, do alto do seu sonho de país escandinavo, ergueu a mão para os céus brandindo a promulgação da nova constituição, estava selado o destino de milhões de crianças que se marginalizaram nas décadas posteriores sob a frouxidão do Estatuto do Menor.

Quando visito Porto Alegre, me deparo com crianças dormindo no meio das calçadas, crianças vendendo ou mendigando em semáforos, crianças cheirando crack sob as marquises, crianças sendo usadas das maneiras mais sórdidas e vis, diante da leniência do Estado e dos políticos ladrões de Brasília, que preferem voltar as costas ao Brasil Real.

O Brasil que resolveu o problema das doenças mentais e da drogadição, simplesmente implodindo o sistema psiquiátrico ao longo do governo FHC, sob o lema “humanitário” de “Manicômios Nunca Mais”, resolveu o câncer das crianças abandonadas nas ruas, simplesmente deixando-as exatamente onde sempre estiveram, sujas e maltrapilhas, como resultados abjetos da corrupção política.
Foto: Fotogarrafa. (É importante o ato caridoso de não esmagar descuidadamente o crânio das nossas crianças.)

Eu sou omisso, pois a cada vez que vou a Porto Alegre, a minha compaixão vai ao limite máximo de desviar os pés para não pisar nas crianças que dormem a sono solto nas ruas.

Assim como eu, os outros pedestres compartilham da mesma indiferença. Nós, os cidadãos amparados pela Constituição Cidadã de 1988, nunca chegaremos a notar se um dos pequenos párias que se atravessa no nosso caminho está morto ou vivo, pois para nós, basta não esbarrar neles e seguir o nosso destino.

Crianças de rua

É quase meia-noite. As ruas do centro de Bogotá, Colômbia, estão vazias, com exceção da presença de alguns policiais militares. Com suas armas automáticas prontas, eles guardam todos os cruzamentos desta capital porque o presidente da Venezuela está na cidade.
Wilson, de cinco anos de idade, está sentado na calçada chorando. O pai de Wilson vai bater nele novamente hoje à noite se ele voltar para casa sem 1.000 pesos (US $1,50). Ele está arrepiado com o frio de uma noite andina. Ele está descalço e apenas vestindo um agasalho leve. Do outro lado da rua, Daisey, a irmã dele de sete anos, está pedindo esmolas. Daisey precisa de dinheiro para comprar sapatos e ela não pode voltar para casa até que tenha 1.500 pesos.
Para um número crescente de crianças nas ruas de cidades ao redor do mundo, este cenário é muito típico. É necessário haver maior consciência da situação destas crianças de rua.
A dimensão do problema
Precisamos compreender que este problema que enfrentamos é enorme, especialmente na América Latina. É difícil imaginar o número de crianças que vivem nas ruas em todo o mundo, muitos dos quais sem nenhum elo familiar. O número de crianças de rua em todo o mundo citado hoje em dia chega assustadoramente aos 100 milhões (ONU).
Quase um terço da população mundial tem menos de quinze anos de idade. Na Colômbia, há 11 milhões de crianças com menos de 15 anos de idade. Cada vez mais destas crianças estão indo para a rua. Estimativas do número de crianças de rua em Bogotá variam tremendamente, de um número conservador de 2.500 a um número enorme de 110.000 (UNICEF).
É difícil estimar o número de crianças de rua pois elas se movem muito de um lugar para outro. Uma criança ou até mesmo uma gangue de crianças podem partir do extremo sul de Bogotá de manhã, estar no começo da tarde no centro de Bogotá e no Parque Lourdes (norte de Bogotá) no final da tarde. Outra razão é que algumas crianças são ‘fechadas a trinco’; elas vivem nas ruas durante o dia mas retornam para casa à noite.
Quem são estas crianças?
Quatro grupos de crianças podem ser identificados:
Crianças totalmente abandonadas Estes são os gamíns na Colômbia, os meninos de rua no Brasil, os pelón no México. Estas crianças vivem nas ruas e não têm nenhum contato com suas famílias. Elas geralmente usam drogas, preferindo as inalantes – geralmente cola de sapateiro. Estas crianças não trabalham.
Crianças parcialmente abandonadas Estas crianças vivem nas ruas mas têm algum contato com suas famílias. O uso de drogas é comum e geralmente elas não trabalham.
‘Crianças fechadas a trinco’ Elas perambulam pelas ruas mas são cuidadosas em manter contato com suas famílias. Elas não usam drogas e não trabalham.
Crianças trabalhadoras Estas crianças estão nas ruas enquanto trabalham. Elas engraxam sapatos, lavam vidros de carros, vendem doces e cigarros. Na maior parte do tempo elas vivem com suas famílias. Elas não costumam usar drogas.
Na América Latina, meninos e meninas vivem nas ruas. No entanto, de maneira geral, as meninas são mais protegidas do que os meninos. A proporção menino/ menina pode chegar a ser tão alta quanto nove meninos para cada menina. As meninas, consideradas mais ‘úteis’, ficam em casa enquanto os meninos são considerados mais fortes e menos sensíveis a uma vida de ameaças nas ruas.
A maioria das crianças de rua não são abandonadas por suas famílias. Pelo contrário, elas saem de casa fugindo de maus tratos, pobreza ou da simples autoridade dos pais. A falta de estabilidade na vida familiar é a razão principal para levar uma criança às ruas. Nas ruas elas encontram outas crianças que vieram de situações igualmente difíceis. No entanto, as crianças logo descobrem que no mundo da rua elas são tão maltratadas quanto em suas casas. Esta desilusão é um choque tremendo – a criança percebe que não pode confiar em seus pais e em nenhuma outra figura de autoridade. O escape mental, geralmente através de drogas inalantes, torna-se parte da estratégia de sobrevivência da criança.
As crianças de rua experimentaram violência no lar nas mãos de seus pais. Como resultado, elas se tornam ‘caçadoras’, procurando infligir dor e violência aos outros. A droga ajuda a aliviar o sentido da realidade.
Crianças descartáveis
Imagine chamar crianças de desechables – ‘joga-fora’ ou ‘descartáveis’. Mas é assim que elas são conhecidas nas ruas de Bogotá. Este termo veio ao meu conhecimento recentemente quando um menino com o qual eu estava trabalhando foi morto uma noite e o seu corpo jogado em um buraco. Eu conheço também outras crianças que foram mortas pela polícia, por gangues de traficantes de drogas ou por esquadrões da morte formados por comerciantes que querem limpar as ruas de ‘crianças sujas’ ou até por outras pessoas que vivem na rua.
Relatórios recentes fornecem evidências assustadoras de que há grupos nas cidades latino-americanas usando crianças de rua para ajudar a satisfazer a demanda mundial por partes do corpo. As crianças ‘afortunadas’ que sobrevivem a estas cirurgias in loco acordam nas ruas e descobrem que perderam um rim, um testículo ou um olho durante a noite. Geralmente uma cirurgia destas leva a criança à morte.
Há alguma solução?
Muitas organizações dizem que ajudam as crianças de rua. No entanto, a UNICEF em Bogotá relata que muitas agências de ‘caráter social’ estão vendendo a miséria das crianças para arrecadar fundos para o seu trabalho.
O governo colombiano faz tudo o que pode com seus recursos limitados. O ‘Instituto Nacional de Bienestar Familiar’ busca grupos externos, cristãos e seculares, com os quais possa trabalhar. Eles procuram incentivar que mais recursos sejam usados para ajudar as crianças de rua.
Apesar de tudo os governos e as agências de caráter social não são donas deste problema mundial. Ele pertence a todos nós. A Palavra de Deus para nós está cheia de mandamentos para que cuidemos dos órfãos. Estas palavras para nós são tão novas nos dias de hoje como quando elas foram ditas:
  • ‘Mas se deveras melhorardes os vossos caminhos e as vossas obras, se deveras fizerdes juízo entre vós e não oprimirem… o órfão…’ (Jeremias 7:5-6)
  • ‘Assim diz o Senhor: Exercei o juízo e a justiça… não façais mal ou violência ao… órfão…’ (Jeremias 22:3)
  • ‘A religião pura e imaculada para com Deus é esta: Cuidar dos órfãos… em suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo.’ (Tiago 1:27)
Deve haver uma resposta ao problema de crianças em risco nas ruas. Está claro que no momento estamos perdendo a batalha.
Rumo ao progresso...
ETAPA 1: AMOR A primeira etapa rumo a uma solução é a comunidade cristã mundial reconhecer que todos nós podemos fazer uma parte. Se pelo menos respondêssemos à Palavra de Deus, alcançaríamos estas crianças crendo que esta é a nossa responsabilidade. Compartilhar o amor de Cristo com estas crianças é a parte mais importante em qualquer solução.
A igreja cristã nacional também deve decidir enfrentar o problema das crianças nas ruas de suas próprias cidades. A igreja tem sido estranhamente vagarosa para atuar nesta área. Apesar disto, a igreja nacional deve estar envolvida em preparar uma estratégia para resolver o problema. Na Colômbia, a igreja nacional, com poucas exceções, não está pronta para atender aos problemas sociais em nome de Jesus. As congregações locais não são ensinadas de que têm uma responsabilidade para com as viúvas, os órfãos e outros grupos marginalizados.
O único programa para crianças necessitadas em Bogotá que é totalmente endossado e financiado por uma igreja local é o da Iglesia Casa Roca. Neste ministério único, meninos e meninas são apoiados em um sítio no norte da cidade.
Existem outros ministérios cristãos em Bogotá incluindo o Futuro Juvenil, o qual trabalha com órfãos e procura educar os colombianos sobre adoção, uma idéia estranha na Colômbia; o Hogar Vida en Cristo, um programa para ex-traficantes; e La Bergerie, uma equipe médica francesa que vai às ruas para ajudar com as necessidades físicas das crianças.
O maior programa para crianças de rua em Bogotá, com aproximadamente 700 crianças, é realizado pelo Padre Nicolo, que é Católico Romano. Ele faz um bom trabalho tirando as crianças das ruas mas muitos fogem porque o ‘programa é muito estrito’.
Apesar de não ser um ministério cristão, talvez o programa melhor conhecido na América Latina é o Crianças dos Andes. O seu diretor, Jamie Jaramillo, um homem de verdadeira compaixão, tem recebido muita atenção da mídia pelo seu trabalho de resgate de crianças dos esgotos de Bogotá.
ETAPA 2: PROVENDO ALTERNATIVAS A segunda etapa mais importante é prevenir que as crianças cheguem às ruas. A potencial criança de rua deve ter alternativas disponíveis antes de entrar na vida de rua.
O Hogar Infantil (Lar Infantil) é um lar alternativo para crianças. É um exemplo do que pode ser oferecido a crianças de risco. Na Colômbia, o ‘In Ministry to Children Group’ trabalha com 16 crianças em um lar em Sasaima, uma pequena cidade agrícola a uma hora e meia a oeste de Bogotá. Como um ‘substituto à família’ para crianças de risco, este sítio oferece uma experiência positiva de vida familiar em um ambiente de amor cristão.
A Jovens com uma Missão (JOCUM) tem um abrigo em Bogotá além de um sítio para crianças de até 12 anos.
ETAPA 3: PROVER MAIS APOIO Uma terceira etapa é que as organizações reavaliem o seu trabalho e dêem muito mais apoio e financiamento para atender às necessidades das crianças em risco.
As ruas de centros urbanos podem expor as crianças a muitas coisas más. É essencial que os cristãos trabalhem juntos para compreenderem as necessidades das crianças de rua e o ambiente em que vivem e então procurarem maneiras de atender estas crianças de rua neste mundo tenebroso. Precisamos de mais soldados no batalhão do Senhor, preenchendo as vagas existentes.
Trabalhar com as crianças na rua pode ajudar muito mas ainda permite que elas permaneçam em um estilo de vida negativo. Elas precisam ter uma alternativa para que assim possam deixar a rua, se desejarem. Com o passar do tempo, a criança pode se recuperar da tragédia de suas experiências. Esta recuperação varia diretamente de acordo com o nível de estabilidade em sua nova vida. Ela também depende da quantidade de tempo que a criança precisou para sobreviver nas ruas. Quanto mais tempo passado nas ruas, mais tempo é necessário para a recuperação. Atender a esta necessidade de apoio apropriado e alojamento é vital.
Gonzalo Arango, em uma meditação em seu livro, A Lament for Disquiet, faz uma pergunta muito relevante: ‘Eu fiz uma pergunta sobre a sua sepultura cavada ao pé da montanha,“Não há alguma maneira de que a Colômbia, em vez de matar suas crianças, faça que valha a pena que elas vivam?”’
Ajudar para que valha a pena que crianças de rua vivam deve ser o lema de todos nós que trabalhamos com crianças de risco.
Geral
Brasil: 8 milhões de crianças abandonadas



“Toda criança tem direito à vida, saúde, liberdade, educação, cultura e dignidade." É o que diz o Estatuto da Criança e do Adolescente. Entretanto, a teoria nem sempre é seguida na prática. Autoridades deixam de lado a lei, que deveria zelar por esses direitos, o que vem provocando o aumento do número de menores infratores e em situação de rua. Esse índice atinge proporções de inquestionável visibilidade nos grande centros urbanos do País.

Acredita-se que atualmente chegue perto de 8 milhões o quantitativo de crianças abandonadas no Brasil. Destas, cerca de 2 milhões vivem permanentemente nas ruas, envolvidos com prostituição, drogas e pequenos furtos. Um número expressivo, demonstrando que não foram aplicadas políticas eficazes para a redução da triste realidade apresentada já em 1994, quando existiam 7 milhões, segundo levantamento da Organização Mundial de Saúde (OMS).

A estatística mais triste encontra-se em São Paulo. Dados mostram que, a cada dia, duas crianças são abandonadas na cidade, em abrigos ou nas ruas. Só nos primeiros três meses deste ano, mais de 200 crianças foram desamparadas. Isso equivale a uma média de 15 crianças a cada semana – comprovando que nos países subdesenvolvidos o controle de natalidade ainda é muito baixo.

No Brasil, por exemplo, em 1940, a população era de 40 milhões de habitantes. Atualmente, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), já são mais de 180 milhões de brasileiros, o que tem preocupado especialistas da área, que vêem no crescimento populacional um dos principais problemas a serem vencidos pela humanidade nas próximas décadas.

Outro agravante está na gravidez precoce. Jovens brasileiras, entre 15 e 19 anos, que deveriam estar com foco nos estudos, acabam tendo o seu primeiro filho nessa faixa etária, dificultando – ou até mesmo paralisando – sua formação acadêmica.

A questão do baixo rendimento salarial e do desemprego também são fatores que contribuem com o crescimento do número de crianças em situação de abandono. Muitas ainda perambulam diariamente pelas ruas, pedindo dinheiro nos sinais ou até mesmo na criminalidade.

Quadro de mazela no Rio
Comprovando os dados alarmantes, 27 menores foram presos, recentemente, em frente à Rodoviária Novo Rio (RJ), durante a Operação Fênix da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). O objetivo foi acabar com a situação de mazela e abandono que se notava na região.

Na rodoviária, segundo o delegado titular da DPCA, Deoclécio Francisco de Assis Filho, menores infratores eram vistos consumindo drogas e, logo depois, saíam praticando pequenos delitos. Além disso, a polícia cumpriu dois mandados de prisão contra homens acusados de aliciamento de menores ao crime e exploração sexual.Fetos e bebês
O abandono de fetos e bebês também tem sido notícia recorrente na mídia nacional. Há poucos dias, um feto foi encontrado dentro de uma mochila, atrás do Teatro Municipal, no centro do Rio de Janeiro. A placenta também foi localizada.

Policiais militares do 13º BPM (Praça Tiradentes) foram acionados juntamente com uma equipe do Corpo de Bombeiros. Foi feita a perícia e o material recolhido. O caso ainda está sendo investigado.

Em julho deste ano, outro episódio de abandono comoveu a periferia de Paulínia, em Campinas. Um recém-nascido, ainda com o cordão umbilical, foi encontrado nu, enrolado em um lençol, dentro de um bueiro de 1,20 m de profundidade. O choro do bebê foi ouvido por um ciclista que passava pelo local e pediu socorro. O bebê foi levado por guardas municipais para o hospital com hipotermia, mas foi imediatamente encaminhado para um berço aquecido.

O Conselho Tutelar acompanhou o caso e tomou as providências para garantir a saúde da criança, que permaneceu internada.

Na cidade de Esmeraldas, região metropolitana de Belo Horizonte (MG), um recém-nascido foi encontrado vivo dentro de uma sacola, nos fundos de uma residência. A mãe, Sirley Aparecida Basílio, 30 anos, teria escondido a gravidez e, após passar mal em casa, teria dado à luz sozinha.

Mas a história só foi descoberta pela família depois que Sirley teve uma hemorragia e precisou de atendimento médico. Já no hospital, em estado grave, teria contado à médica que a atendeu onde havia deixado o filho. O menino, que ficou durante três horas dentro de uma sacola plástica, foi encontrado por uma tia.

Caso Lagoa da Pampulha
Outro caso de abandono que chocou o País também aconteceu em Belo Horizonte. Em janeiro do ano passado, um bebê foi encontrado por testemunhas dentro de um saco plástico, boiando, na Lagoa da Pampulha. A promotora de vendas Simone Cassiano da Silva, mãe do bebê, foi acusada de tê-lo jogado na água. Ela foi condenada a oito anos e quatro meses de prisão.

Segundo noticiou a imprensa, a criança vive atualmente com uma família adotiva, que foi escolhida pela Justiça. Os responsáveis estavam cadastrados em um programa chamado Pais de Plantão e passaram por avaliação social e psicológica antes de receberem a guarda do bebê.

crianças

Crianças abandonadas

O abandono de crianças sempre existiu e nenhuma medida adotada conseguiu resolver a situação. No Brasil, o abandono de bebês vem desde a era colonial, quando era comum encontrar bebês largados em ruas, becos e portas de casa ou em rios, mangues e no lixo. Havia a possibilidade de alguém recolher o neném e criar. Os três últimos configuram a eliminação das crianças. Os recém-nascidos jogados nas ruas corriam risco de ser devorados por cães e porcos que vagavam pela cidade.
O abandono de bebês, muitas vezes era para preservar a honra de moças de família e falta de recursos para criar mais um filho eram motivos do abandono de bebês ou do infanticídio no período colonial. Quando as crianças nasciam com alguma deficiência também eram abandonadas.
No Brasil, parece que assitimos às práticas de infanticídio do Brasil Colônia. É preciso resolver o problema da exclusão social e ter uma melhor política de prevenção de gravidez e controle de natalidade.
Rejeição, doença ou morte e pobreza da mãe ou da família são determinantes na entrega de um bebê para os cuidados institucionais. Vários estudos apontam os efeitos nocivos sobre a formação das crianças quando observadas num processo de separação dos pais e, em especial, da mãe.
O bebê é um ser indefeso e incapaz de sobreviver pelos seus próprios recursos, o que faz-se necessária a presença de um adulto ou responsável. Além da higiene e cuidados com a alimentação, uma criança amada e cuidada é psicologicamente saudável.

Bebês e crianças abandonados

Para os bebês, a mudança de quem recebe cuidados afeta muito o seu desenvolvimento emocional. O desconforto, o sofrimento, atrasam sua adaptação ao meio. A longo prazo, devido relações superficiais, elas, na sua maioria vão crescer como pessoas que não tem calor no contato com os semelhantes.http://www.guiainfantil.com/images/blog/200/285/001_small.jpg
Para os bebês abandonados, o nascimento representa um corte radical em relação a tudo o
que eles conhecem: a voz da mãe, os ruídos de seu corpo, a voz do pai, o ambiente familiar,
enfim, tudo aquilo que permite a um recém-nascido se situar nos primeiros momentos de
sua vida desaparece.
Por isso, a intervenção psicológica é muito necessária para esses bebês entregues aos cuidados institucionais, tentando garantir que, pelo menos uma vez, eles ouçam sua verdadeira escola.
Devem ser feitos esforços para a manutenção da maternidade, para proteger o desenvolvimento do bebê, e tentar minimizar os efeitos negativos da falta de uma figura materna, pois isso atrapalharia seu desenolvimento e de sua saúde mental.
Os bebês e crianças abandonados ou entregues para os cuidados institucionais contam
apenas com o suporte social. Como as agências que cuidam dessas crianças são poucas e com deficiências, fica quase impossivel serem supridas emocional e fisicamente. Por outro lado, a burocracia impede uma facilidade maior no processo de adoção.
A adoção, que deveria ser um processo sadio e uma saída para crianças abandonadas a se sentirem amadas, acolhidas, sendo supridas de toda rejeição, e falta de amor, infelizmente a cada dia descobre-se notícias e escândalos com abusos sexuais, espancamentos, torturas e até mesmo morte de crianças pelos próprios pais adotivos. Isso nos leva a questionar: Há saída para essas crianças?